Post: 10671 | Data: 17/05/2017 | Visitas: 965

O drama vivido por Raulinda em Ipirá

Em meados dos anos 70, a população de Ipirá, cidade pacata, de pequeno porte, distante 202 km de Salvador, no sertão baiano, uma mulher sentiu o peso da repressão imposta pela ditadura militar em plena efervescência.

O fato ganhou destaque nos jornais do estado, diante da tamanha brutalidade praticada pelo delegado perante uma mulher.

Reportagem de um grande jornal da capital baiana.

 

Vestiu Mini Saia Delegado dá Bolo.

O Delegado de Polícia de Ipirá, Sargento da PM José Roque Chaves, baixou um decreto proibindo o uso de minissaia. Raulinda Barbosa de Almeida infringiu o “decreto” e como castigo, recebeu “duas dúzias e mais dois bolos nas mãos”.

Raulinda Barbosa de Almeida, 25 anos, solteira, residente do município de Ipirá, recebeu “duas dúzias de bolo” conforme sua expressão, no interior do xadrez da cadeia pública daquela cidade, aplicadas pelo Delegado de Polícia Sargento José roque Chaves da Policia Militar, simplesmente porque foi flagrada num caminho para uma fonte, carregando uma lata d’água, usando uma mine saia, moda terminantemente proibida pela referida autoridade policial.

Raulinda Barbosa de Almeida revela a reportagem (São João), por volta das 10 horas, caminhava para uma fonte carregando uma lada d água na cabeça, usando uma mine saia, quando foi surpreendida pelo Delegado de Polícia o Sargento da PM José Roque Chaves, foi levada para a cadeia pública e as 11h a autoridade policial retirou a do xadrez e aplicou-lhe “duas dúzias de bolo” e logo depois que molhou as mãos para aliviar a dor, tomou mais dois bolos para aprender a não desrespeitar as ordens as quais proíbem o uso da mini saia das mulheres de vida fácil naquele município.

 

Xadrez por 5 horas
Depois de receber o castigo, Raulinda Barbosa de Almeida foi trancafiada no xadrez, sendo liberada as 15h, por interferência de amigos. Com as mãos inchadas, começou a sua peregrinação no sentido de que alguém tomasse alguma providência.

 

Ouvida no Fórum
Raulinda de Almeida disse ao repórter que depois de sair da cadeia foi ao farmacêutico para que suas mãos fossem tratadas, mais o profissional declarou que só o médico Delorme Martins, poderia administrar alguns medicamentos.

O médico por sua vez, após socorrer a mulher levou-a a presença do Juiz e do Promotor de Ipirá; tendo sido Raulinda ouvida no Fórum em termos de declaração e logo em seguida recebido guia para fazer exame de corpo delito a fim de que fosse instaurado inquérito para apurar a agressão sofrida pela vítima.

Raulinda era uma mulher forte, de pernas grossas, bem aos moldes dos padrões atuais das mulheres bombadas das academias. Ela gostava de vestir curto e isso para os padrões da época era um afronto a sociedade que se sentia ofendida quando ela passava nas ruas. Para as senhoras da época era uma indecência e para os homens, motivo de admiração.

O drama vivido por Raulinda comoveu a cidade diante do estado que ela ficou, quase ao ponto de ter as mãos amputadas diante da gravidade dos ferimentos. Muitas pessoas se cotizaram para ajudá-la a se manter até a sua total recuperação.

Após a apuração dos fatos, o delegado foi transferido de Ipirá e Raulinda continuou sua vida, vindo a falecer há poucos anos atrás na cidade de Pintadas onde foi residir com uma irmã.

O Delegado José Roque Chaves, foi transferido para o Batalhão da PM em Itaberaba e algum tempo depois, foi transferido para a cidade de Feira de Santana, onde mais tarde veio a falecer.

 

Caboronga Notícias, resgatando a história em Ipirá

www.caboronganoticias.com
Por: Jorge Luiz

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