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Post: 89 - | - Visitas: 463 - | - Data: 25/08/2019

O boi assassino ou o Monstro de Baixa Grande

Literatura de Cordel

Rodovia de Baixa Grande / Feira de Santana - Bahia

Setembro de 1979

 

 

O BOI ASSASSINO OU O MONSTRO
DE BAIXA GRANDE

(Autor: Franklin Maxado Nordestino)

Cada um na nossa vida

Tem diferença e função.

Se um é construir casa,

Outro é rezar e oração.

Uns é receitar remédios.

Outros fazer criação.

   

    O dever de um poeta

    Da classe do cordelista

    É divertir o seu povo

    Mas também ser jornalista.

    Escrever o que se passa

    Pra formar como artista.

 

Assim vou dar a notícia

De um boi fenomenal

Que já matou uma família.

Não tem quem lhe faça o mal.

É assombro em Baixa Grande.

Parece não ser mortal.

 

    Os fatos desta estória

    Foram dados por Amado

    Que tem lá uma farmácia

    E fez o boi retratado

    Num desenho porque não

    Deixa ser fotografado.

 

A fama daquele monstro

Começou quando matou

Uma família que ia

Rezar e perto passou.

O boi não ligou pra cruz

E todos estraçalhou.

 

   O caso se deu no sábado.

   Dia 18 de agosto,

   A duas léguas distantes,

   Causando luto e desgostos,

   Na estrada da Lagoinha

   Depois do sol ter-se-posto.

 

Dona Zefa Rezadeira

Quando viu o boi gigante

Não deu tempo pra fazer

O “Cruz Credo” dominante.

Só gritou: “Valei-me Nossa...”

A caiu logo adiante.

 

     Morreu ali na horinha.

    Tomou chifre na costela.

    Seu fato e sangue caíram

    Melando toda cancela.

    E poucos rezaram por ela.

 

 

 

Seu marido, Antônio Oleiro,

Morador daquele chão,

Pai de 23 filhos

Dispersos pelo sertão,

Morreu chifrado nos avos

Que subiram pro pulmão.

 

    Um garoto que ia junto,

    Quando passou da cancela,

    O boi jogou pros ares.

    Ele escapou da procela

    Pois caiu depois da cerca

    E passou sebo na canela.

 

Todo dia o boi volta

Àquele lugar sangranto.

Dá uns mugidos medonhos

E fica soltando vento.

Cava o chão, morde seu coro.

Incha mais que papa-vento.

 

    Antes esse boi já tinha

    O braço de um quebrado.

    Pra subir mais de três metros,

    Botou Zé de Lô, coitado!

    Em cima dum espinheiro.

    Este ficou todo cagado.

 

 

Das proezas do boi, contam

Que uma velha senhora

Agregada na fazenda,

Teve que ir-se embora

Pois atacou sua casa

E ela desmaiou na hora.

 

    Que core atrás de cachorro,

    De porco, bode e galinha.

    Matou um carneiro grande

    Com uma só marradinha

    Matou um cavalo de campo

    Que lhe fez uma gracinha.

 

Todo mundo corta volta,

Mesmo estando de carro,

De passar naquela estrada.

De jipe e volques é esparro.

Só se for de caminhão

E olhe que tira sarro!

 

    Informam que já deram

    Tiro porem não lhe pega.

    O seu dono diz que bota

    Ele para a refrega

    O quer policial

    Numa aguada d’água.

 

 

Pois seo Reinaldo não quer

Que ninguém vá lá pescar.

Porém ele não consegue

Praquele pasto levar

Porque não tem um vaqueiro

Que lhe topa rebanhar.

 

    Quando ele é tangido

    É no meio de outro gado.

    Mas se o boi não quiser ir,

    Todos lhe deixam de lado.

    Não respeita mourão ou cerca.

    Come onde é de agrado.

 

É um touro bem escuro

De raça de Guzerá.

Tem quase 30 arrobas

Segundo calculam lá.

As suas galhas só dão

Comadas para matar.

 

    Foi criado engeitado.

    Tem apenas quatros anos.

    Presente de Zé Pedreira

    Pra Reinaldo conterrâneo.

    Mas não quer carinho ou mimo

    Esse zebu indiano.

 

 

É ligeiro como vento.

Tem o olho de serpente.

Dá cada urro estranho

Que arrupia a gente.

Solta faíscas nos cascos

Quando corre no chão quente.

 

    Porisso o povo já diz

    Que ele não é um touro.

    Já tem pessoa que jura

    Que vê um grande besouro

    Fazer zum-zum danado

    E lhe ferroar no touro.

 

Aí o boi se transforma.

Se enerva e cava o chão.

Corre e ataca tudo

Principalmente o cristão.

Quebra cerca e cancela.

Fica virado no Cão.

 

    Seu dono é católico,

    Já deve estar pensando

    O que fazer desse touro

    Pois prejuízo está dando

    E pode dar muito mais

    Se deixá-lo se soltando.

 

 

Até seu irmão Evandro

De Baixa Grande, Prefeito,

Já pediu ao seo Reinaldo

Que no boi dê algum jeito

Mas tem pena do bichino

Que é macho sem defeito.

    

    Mas os caminhos são públicos

    E o povo quer passar.

    Se não s domina a fera,

    A solução é matar.

    Porém não sou eu que quero

    Comer do boi Guzerá.

 

Agora só passo de ônibus

Por essa parte da Bahia

Principalmente em Baixa Grande

Onde o boi tem moradia.

E só passo com a cruz

Para ter mais garantia.

 

     M – e acabo, caso vejo

    A – parecer o boi na frente.

    X – amo por todos os deuses

    A – migos de quem é valente.

    D – este boi, quero sossego.

    O – que digo é o que se sente.

 

Rodovia de Baixa Grande a feira de Santana- BA, setembro de 1979.

 

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